Ações que fazem a diferença

Mesmo com os avanços da nossa sociedade, muitas pessoas ainda encontram dificuldades para entender o que é o Autismo e como lidar com ele.
Os que não conhecem, muitas vezes julgam, recriminam e consideram os que possuem como “retardados”. Os que possuem, pouco entendem o julgamento e recriminação que sofrem, pois geralmente vivem num mundo próprio. E os que convivem, sofrem por seus parentes, pelos comentários, pelo pouco conhecimento e por uma lista interminável de dificuldades.

Esse é o tipo de relato comum entre mães de crianças autistas, como consta em depoimento para o jornal O Globo:

— Se o Arthur começa a se jogar ao chão, escuto coisas como “tem que dar limite” ou “se fosse meu filho, apanhava”. É normal ouvir isso. Eu já o levei ao cinema algumas vezes, mas sempre foi difícil, para ele e para mim. Hoje, não — disse a farmacêutica Amanda Baroni enquanto Arthur, também de 3 anos, descansava um pouco antes de voltar à sala.

Pensando nisso, a psicóloga Carolina Salviano de Figueiredo resolveu “dar uma mãozinha” ao problema. Entrou em contato com o grupo Kinoplex em busca de uma parceria e conseguiu desenvolver uma ideia que levou muitos pais a uma enorme emoção.

No dia 15 de dezembro de 2015, no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, realizava-se a primeira sessão de cinema do Brasil para crianças autistas! Foram quase 30 crianças assistindo o filme Carros acompanhadas de seus pais. O Kinoplex concedeu entradas gratuitamente.

As regras eram simples: não há regras. As crianças teriam liberdade para brincar, correr e fazer o que quisessem. As luzes ficariam acesas, e o som um pouco mais baixo que o habitual. Até mesmo gritar era permitido, habito comum entre crianças autistas.

Outra mãe emocionada também contou para O Globo como se sentiu nessa experiência:

— Achei que meu filho não fosse ficar. Antes de começar a sessão, falei o que aconteceria e chegamos cedo. Entramos com o cinema ainda vazio, para ele se ambientar. Em casa, ele só presta atenção nos desenhos animados durante uns 15 minutos. O filme já está passando há uma hora e continuamos aqui — vibrou Adriana Costa, mãe de João Pedro, de 3 anos.

A psicóloga ainda não tem previsão de quando será a próxima sessão, mas garante que a ideia vai se repetir. São atitudes como essa que geram esperança de que existem pessoas que podem fazer do mundo um lugar melhor.

Por: Natália Ramos